terça-feira, 9 de fevereiro de 2010,22:47
É, mais ou menos, isto.
Há mar e mar. Há ir e voltar. O mundo nunca deixou de mudar, mas no entretanto fica sempre igual. E andamos em círculos. E não sei quê e não sei que mais. E tudo corre bem. E tudo corre mal. E está tudo parado. E não consigo parar.
E...
E...
Se, talvez, portanto, também, ainda, quando, mas, até, opinião, verdade, mentira, qualquer, pois, conquanto, finalizando, sim, não.

"A livraria fechou, a tascta tem outro dono. A minha rua mudou quando chegou o outono. Há quem diga ainda bem, está muito mais sossegada. Não se vê quase ninguém e não se houve quase nada. Eu vou-lhes dando razão, que lhes faça bom proveito, e só espero pelo verão para pôr a rua a meu jeito!"

A meu jeito.
A teu jeito.
Raios pah. Acordem. Trabalhem. Façam e aconteçam. Sejam arrogantes. Sejam convencidos. Mas ao menos acreditem. Ao menos em vocês.

Não querem?

Estou confuso.

Oh p'a mim chateado.

Oh p'a mim em non-sense.

Oh p'a mim, oh p'a mim, oh p'a mim.

Parece que se droga o raio da moça.
Parece que se embebeda o raio do moço.

Parece que não sei o quê e não sei que mais. Parece que tenho mesmo de opinar sobre isto. Parece que não posso viver sem me chatear com aquilo.

Parece que não posso viver sem acabar com isto e ir ler.



 
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010,00:24
Abalos
Ás vezes, só ás vezes, deixo-me abalar. São dias em que me resolvo a ser humano, mais do que parecê-lo, e em que deixo simplesmente a realidade fluir, invadir-me, entristecer-me. São dias em que tudo o que faço, tudo o que fiz, parece insuficiente. Dias em que olho a minha volta e vejo amigos tristes e combalidos, desiludidos e desconfiados. Dias em que o sol brilha pouco e em que os sorrisos parecem ter sempre um lado amargo.
São dias duros. São tempos de elevado desafio. É o confronto de mim com o mundo, e a derrota copiosa que sofro ás suas mãos. É pensar nas crianças que quero educar, no tempo que não passo com elas, e ver os seus pares um pouco mais velhos, um pouco mais novos do que eu, e o estado em que se encontram.
Não gosto de ser vaidoso, mas tenho o dom da visão. O de saber ver. O que quer dizer que ás vezes, por muito cego que tente ser, tenho de ver o que não quero. E ás vezes vejo pessoas boas,
óptimas pessoas, pessoas maravilhosas a fazer escolhas erradas. A errar por vingança, não percebendo que o seu erro só as prejudica a elas e não ás pessoas que não se importam com elas.
Tenho uma amiga, uma das melhores, que um dia quis dar uma lição aos pais. Quis fazê-los perceber que passava demasiado tempo a preocupar-se com eles, a fazer coisas para eles, a resolver as discussões deles, e que por isso não levava uma vida normal, e que por isso tirava piores notas, e que por isso era, em suma, infeliz. Decidiu chumbar a uma cadeira. "Vou-lhes mostrar", pensou. E não mostrou. Nem sequer teve coragem de lhes dizer que tinha chumbado. Teve apenas a coragem de, no semestre a seguir, fazer mais uma cadeira, fazer todas com pior nota, ser prejudicada nos 35 anos que se seguiram à conclusão do curso por causa disso.
Ninguém ensina lições a ninguém. Só nos conseguimos ensinar a nós próprios. É triste, é sádico, é verdade. E mesmo assim sou compelido a avisar, a tentar, a ajudar... E de cada vez que falho, de cada vez que não estou, de cada vez que não me chamam... Tudo parece desmoronar.
Estou triste. Sinto que já falhei tudo aquilo pelo que me propunha lutar nos próximos 20 anos. Estou triste. Amanhã espero voltar a acreditar. Mas hoje...
Estou triste.
 
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010,15:58
O pior cego é o que não quer ver


Não se ofendam, mas isto não deixa de ser genial.
 
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,10:54
Não estou.
Ela tinha uma amiga chamada Maria
Que era quem me atendia quando eu telefonava
Ela tinha uma amiga chamada Maria
A quem ela dizia para dizer que não estava
E quando eu insistia, e não desligava
Era sempre a Maria
Que me mentia e me consolava
E perguntava o que é que eu lhe queria


Ela tinha uma amiga chamada Maria
Que nunca sabia por onde ela andava
Ela tinha uma amiga chamada Maria
De quem se servia quando me enganava
E quando eu lá ia, e não a encontrava
Era sempre a Maria
Que me dizia que ela não tardava
Que me jurava que ela voltaria


Quando eu ia buscá-la, e a gente saía
Era sempre a Maria que nos animava
Quando eu a convidava, e ela não queria
Era com a Maria que eu sempre dançava
E quando eu inventava uma melodia
Era sempre a Maria
Que me aplaudia, e ela não ligava
E eu ficava a cantar prá a Maria


No cinema, no escuro, quando eu a beijava
Ela empalidecia, a Maria corava
Ela não me ligava e adormecia
E era com a Maria
Que eu conversava
E que eu ficava quase até ser dia


Ela tinha uma amiga chamada Maria
A quem ela dizia p´ra dizer que não estava
Até que outro dia ela me telefonou
E eu disse: Maria...
E eu disse: Maria!
E eu disse: "Maria, vai dizer que eu não estou!"
 
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domingo, 24 de janeiro de 2010,22:50
Cai cai
Olá. Como estás? Esquece, pergunta estúpida, mas é que... Eu não sei como escrever isto. Eu não sei escrever isto. Eu não sei exprimir-me... Não sei abrir a boca e juntar palavras que signifiquem o que eu quero que elas signifiquem... É um problema, um dos grandes...
Tu não estás bem. Sei que não estás, conheço-te à demasiado tempo. Podes enganar quem quiseres, quando quiseres, sabes bem que não me podes enganar a mim. Tal como eu sei que não te posso ajudar... Não é que não queira, é que não possa. Não posso. Raios. Tu és especial. És forte. Forte como eu nunca vi. Lembro-me de quando o teu irmão subiu a uma árvore para se esconder de nós e caiu... Lembro-me de o meu pai dizer que podia ser grave. Lembro-me de te manteres ali, quieto, a fazer festas à tua mãe, abraçado ao teu pai, a olhar para mim. Estavas triste, estavas com medo, mas sabias que não havia nada que pudesses fazer, e então esperavas pacientemente pelo que momento em que passasse a haver.
Foste.. És um exemplo. Para mim. Para o que eu sou. Para o que eu alcancei.
Não sei o que se passa. Mas estás abalado. Triste. Descrente. Estás derrotado. Logo tu, que nunca aceitaste a derrota. Logo tu, que sempre odiaste desistentes.
Custa-me ver-te assim. Custa-me ver-te fugir do mundo. Não és tu. Não foi isso que me ensinaste. Sei que não te posso ajudar porque tu raramente queres companhia nas tuas lutas. Mas nesta precisas. Sei que não sou eu, porque eu nunca fui teu companheiro de lutas. Mas precisas de alguém. Tens de arranjar alguém.

E tens de lutar. Luta, por favor. Vence. Tu és capaz.
 
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010,13:26
1 é pouco, 2 é bom, 3... é melhor
Só para não pensarem que me tinha esquecido de vocês.







2010 vai ser assim oh pessoal. Sim, assim. Porcos voadores e o catano...
 
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009,16:52
"São loucas. Ai, loucas."
Argh. Este texto estava a ficar demasiado mau, vai daí decido-me a reescrevê-lo. Ainda há cinco minutos estava com uma ideia que achava que não levaria mais de cinco minutos a escrever, e depois podia dedicar-me ao estudo e ao etecetera, mas no entanto... Argh. Eu sei que a vida ás vezes é assim, tudo parece simples e bem definido e de repente, argh. Mas escrever não devia ser assim. Na escrita não deviam acontecer arghs. Devia ser fluído, e bonito, e simples, e maravilhoso e... ARGH.

O que é que eu queria escrever? Já nem sei. Qualquer coisa que tinha que ver com a minha pouca vontade de fazer as coisas que têm de ser feitas. Qualquer coisa que misturava isso com o facto de ser eu ou não a decidir o que tinha que fazer. Qualquer coisa que ligava isso com as decisões históricas e estratégicas da minha vida. E no entanto, aqui estou eu, a utilizar anáforas em vez de explicar decisões erradas e certas, em vez de utilizar a vossa incapacidade de me perceber para estruturar um pensamento e tomar decisões.

É por isso que escrever é bom, sabiam? Ajuda a tomar decisões. Acho que ás vezes o meu cérebro bloqueia. Chega ao passo lógico seguinte e diz, não, não pode ser isso, e volta a construir a história do início, na esperança de que o fim mude. Com a escrita isso não se pode fazer. A história já foi escrita, eu escrevi-a. Posso alterar o sítio onde está o vaso, a cor das cortinas, o número de vezes em que o protagonista se assoa, mas a história, essa... O fio condutor está lá. Paradinho. Quietinho. Mais ou menos genial - dependendo de quem o escreveu - ele está lá. Não há volta a dar, maneira de lhe fugir, caminho que nos salve. É a sina de um escritor.

Acho que também é a minha. Hoje não há linha, só decisões difíceis sobre a cor das cortinas. E uma necessidade de escrever sem linha. Porque tem de ser.

Porque tem de ser.
 
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domingo, 27 de dezembro de 2009,16:10
Sou fã de clássicos.



 
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009,16:40
Lindo, de tanta e tanta e tanta maneira diferente.
Merry Christmas!




(E parabéns a quem quer que tenha tido a ideia)
 
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domingo, 20 de dezembro de 2009,23:59
Assim não me ria só eu...
Em vez de andarmos para aqui a discutir pib's, desempregos, cancros, sidas, boas e más estratégias, bons e maus estudos, bons e maus professores, podíamos todos deleitar-nos a fazer umas listas. Umas gerais, que se aplicassem a toda a gente.
Do género, o que é preciso para se ser uma pessoa boa? E uma má? Quem sobrar, fica no assim-assim?
Será que chega ser do benfica? Se calhar é preciso ser-se sócio... E será que se devia excluir todos os taxistas ou só aqueles que quando nos apanham a ir para um local perto do que eles querem nos contam a história da vida deles e porque é que lhes apetece tanto ir dar cabo de um gajo ali em Benfica?
É que davam-nos jeito estas listas. Assim, em vez de ter de me embrenhar em debates filosóficos podia simplesmente pegar na lista e dizer "ah e tal, ponto 3b, alinea 2a, não cumpriste, má pessoa!". Mais importante do que a lista do bom/mau/vilão é a lista do conhecido/amigo/inimigo. Notem: Isto era fácil! Era pegarem numa meia dúzia de filósofos pragmáticos, que não o Carrilho nem a minha professora do 10º, e pô-los a trabalhar nisto. Há aqui valor acrescentado minha gente! Nunca mais nos perdíamos naquela treta da indecisão! É que é um rol de tempo perdido em que podíamos todos estar a ser produtivos!
Reparem numa coisa destas aplicada à vossa vida. Ou ás empresas! "Chefe, o tipo da secretária não gosta de si porque anda a comer a mulher dele, é o ponto 5g, é seu inimigo, despeça-o". Ia ser lindo.
A sério que ia. É que assim já ninguém pensava enganar ninguém. Já ninguém achava que conseguia esconder o óbvio, já ninguém aparecia ao fim de uns meses de coisas a correrem mal a perguntar se estava tudo bem.
Era simples, e eu escusava de passar por mau da fita. E escusava de ter de debater porque é que prefiro beltrano a cicrano, e se sou justo ou não. Com o devido respeito: puta que pariu esse conceito de justiça. Há 2000 anos cortava-se a mão a um ladrão, era isso que era justo. Justo não é que o me dizem que é justo, justo é aquilo que cada um acha que é justo, e o que é importante é que a cada dia haja um conjunto de normas mais ou menos gerais para guiar toda a gente.
Era isto. Um conjunto de normas mais ou menos gerais para decidir coisas realmente importantes como as acima indicadas. Oh Sócrates, já que já não vais a tempo de nos salvar da bancarrota, ao menos trata disto!

Quais pioneiros em energias renováveis qual carapuça. Vamos ser pioneiros num novo socialismo! O socialismo da verdade! O socialismo dos não-fingidos! Ajuramento-me desde já como pronto a tornar-me socialista. Ainda que, de acordo com o código que eles vão escrever, vá ser considerado inimigo da pátria e a pior pessoa que caminhou nestes metros quadrados desde, praí, o Zé Cabra.

Vamos a isso?
 
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