Pessoas. Porquê pessoas? Porque as pessoas não são sacos. Há pessoas e pessoas. Eu sou uma pessoa. Sou não sou? Os aliens serão pessoas? É que sinto-me meio alien.
Eu importo-me com o que carrego. Eu não quero carregar cd's, qualquer pessoa faz isso. Agora Iphones... Nem qualquer pessoa carrega um. Reparem que eu estou a usar o verbo carregar e não o verbo ter. Era necessária esta chamada de atenção. Esta conversa não é sobre o capitalismo, nem sobre o meu excesso de pontos finais. É só que os pensamentos me estão a vir em frases. Estou irritado. Saco.
Eu importo-me com o que carrego. Importo-me com as pessoas com que estou, com os momentos em que estou com ela. Não preciso de ter uma lista de importância, o meu cérebro fá-lo por mim. Olha, a pessoa A, tão sozinha, vamos passar todos os sábados com ela. Só naquela, de ela sentir que ainda tem família. Olha, a pessoa N, de quem eu gosto tanto, e com quem eu adoro estar, mas que já tem tanto... Vamos deixar isso para outra altura. Eu sou assim.
Raios. "Olha, a coitada da M, está de rastos" e eu estou lá. Agora, "ah, não apareces há 10 anos", temos pena meus amigos. É bom sinal que eu não apareça. É sinal que não fui preciso.
Porque a minha vida não é isto. A minha vida não é beber copos e estar presente a dar palmadinhas nas costas. Eu gostava que fosse. Gostava de poder ser o tipo fixe que bebe cerveja, diz piadas e está lá sempre, a dar palmadinhas nas costas. Mas não sou. Sou o tipo que faz as coisas funcionarem. Sou o tipo que resolve os problemas, que faz multi-tasking, que dorme 6 horas por dia.
Sou o tipo que é esquecido porque aparece raramente.
E a sério que isso não me chateia, porque sei que estou lá quando sou preciso. E, com a maioria das pessoas, não me irrita que elas não percebam isso.
Mas saco. Estou irritado. Estou mesmo, mesmo irritado. Porque há pessoas que não têm memória. Simplesmente, não têm memória.
São como os sacos. Só lhes interessa carregar.
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